quinta-feira, 21 de julho de 2011

A SALA

Eram dois sofás de três lugares e duas poltronas. Ela preferia alojar-se na poltrona da esquerda, creio que por causa da claridade que entrava pela janela e pela porta de vidro, logo atrás de sua cabeça. Ficava mais fácil para bordar. Ele ficava de frente para a televisão, no canto do sofá de três lugares. Encostava o cotovelo direito no braço do sofá, apoiava a cabeça na mão e ficava tudo perfeito. O sofá tinha uma estampa verde, toda rasgada, com grandes almofadas da mesma cor e pequenas flores brancas desbotadas. Muitas vezes eu sentava com força no sofá e espumas coloridas subiam dos buracos abertos. Depois de algum tempo o estofado foi trocado, mas a estrutura de madeira continuou. A estante pegava uma parede inteira. Existia um aparelho de som que há tempos deixou de ser moderno e tinha uns botões gostosos de apertar. Sempre gostei de apertar botões e confesso que me segurava para não acabar quebrando aqueles. Muitos livros, enciclopédias, basicamente. Algumas fotos, um porta-canetas que dava corda e tocava uma musiquinha relaxante. Boa parte das prateleiras estavam ocupadas com livros e revistas de receitas deliciosas. Diante de tudo isso, a televisão era o que menos importava. Outra coisa que sempre gostei era do aparelho de telefone verde e com fio. Era o único lugar que eu frequentava que possuia telefone fixo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O QUARTO

O quarto sempre foi escuro. Ficou esta impressão gravada na minha memória infantil, pois todas as tardes ela tirava seu cochilo. Na verdade não entendia bem porque eles tiravam cochilos em quartos diferentes, hoje posso ter uma ideia. Assim sendo, fechava a janela e a cortina a fim de isolar a claridade e também o barulho da movimentada rua. O chão era encarpetado. Havia um grande e resistente guarda-roupa, montado há anos no mesmo lugar. A cama ficava ao lado da porta. Uma penteadeira sempre me chamou atenção. Era daquelas antigas, com três espelhos decorados e um banquinho que ficava "guardado" no meio da estrutura da mesa. Não havia jóia, perfume ou escova de cabelo, no lugar, fotos de seus filhos quando crianças. A porta nunca estava fechada e uma cadeira com um bonito recorte e assento vermelho, parecido com veludo, conservava a porta aberta.