terça-feira, 13 de setembro de 2011

Preguiça de revisar o texto

Uma nova oportunidade

Iara havia se casado há cinco anos. Henrique, seu marido, possuia um cargo respeitado na promotoria de uma grande cidade. Deste relacionamento nascera João, de dois anos. Iara era produtora de cinema e sempre adorou a profissão, sentia-se útil e satisfeita quando via seu trabalho ali...pronto. Porém, desde que casara, produzia não apenas o jantar, mas a limpeza da casa, a lavagem da roupa e todos esses trabalhos que faziam-na cada vez mais sozinha e infeliz.
Os dias passavam para todos, menos para Iara, que sempre no mesmo horário, despedia-se do marido com um beijo murcho e ficava ali, esperando o dia passar. Com uma bela e confortável casa, não encontrava motivos para orgulhar-se de suas atuais vitórias. Faltava cores em seu olhar. O que poderia fazer?
Naquela tarde, Henrique voltou mais cedo do fórum com novidades. Seu primo Tiago estava na cidade e queria vê-lo. Jantaria em casa no mesmo dia. Iara não gostou da notícia, não havia preparado nada de especial. Teria que sair correndo para alimentar um folgado que não via desde seu casamento! Depois de uma pequena discussão com Henrique, Iara pegou o carro e, apressada, foi comprar o jantar.
Tiago trabalhava na mesma área que Iara, era produtor de arte no cinema. Não tinha residência fixa, morava, as vezes, na casa de sua mãe, para onde sempre voltava em momentos de aperto.
A campainha tocou. Henrique levantou animado, sentimento esse que não existia no coração de Iara, que nem moveu-se do lugar. Tiago entrou.
- Lembra da Iara? - Disse Henrique
Iara levantou a cabeça e instantaneamente, sentiu-se diferente. Tiago troxe consigo uma leveza contagiante. Nem ela conseguia entender o que estava acontecendo, não era a primeira vez que o via, mas o momento era outro.
O jantar foi ótimo. Os três riram e brincaram como adolescentes.
Depois deste encontro, Iara viu Tiago mais quatro vezes, os quais mudaram radicalmente sua vida.
Em uma tarde nublada, Tiago apareceu sem ser convidado, como de costume. Iara estava sozinha. No meio da conversa e sem saber como, um beijo aconteceu.
- Sempre quis você - Disse Tiago
Os dois acabaram se entregando ao inevitável. Tiago trouxe a cor para a vida de Iara, sem sociedade e nem padrão a seguir. Era a simplicidade do sentir, sem raciocinar, apenas ser feliz.
Durante a noite, Iara foi até o quarto de João e olhou-o durante muito tempo. Lembou do dia em que soube que estava grávida e de toda a esperança que esta criança estava trazendo. Voltou para o quarto, deitou ao lado de Henrique e chorou em silêncio. Chorou por toda a vida que havia planejado e que não havia dado certo. Nossa felicidade não pode ser baseada na racionalidade dos planos. Temos que nos deixar levar pelas emoções e aprender a ouvir o que os ventos sopram em nossos ouvidos. Iara limpou as lágrimas e deu um beijo na testa de Henrique, que, dormindo, nada percebeu.
No outro dia de manhã, Henrique assustou-se ao ver as malas de Iara feitas no meio da sala.
- Vou embora - Disse Iara
Pegou João no colo e arrastou suas malas até a garagem. Para surpresa de Henrique, Tiago a esperava com o carro, na rua. Henrique segurou Iara, impedindo-a de ir. Não entendia a atitude da mulher. Sempre pensou que havia felicidade em seu casamento. Trabalhava duro para dar o melhor a sua família. João começou a chorar e Iara afagou a cabeça da criança em seu peito. Caminhou até o carro e Tiago guardou as malas. Iara chorou. Não conseguiria levar João, pois não teria como cuidar de um bebe sem a estrutura necessária. Não tinha o direito de tirar isso dele. Resolveu deixá-lo com Henrique, mas jurou buscá-lo assim que possível. Henrique pegou João no colo. Todos choravam. Iara cheirou João e passou a mão carinhosamente no rosto de Henrique. Foi embora. Deixou seu coração para encontrar sua felicidade.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Viagem


Existiu uma época em que a rebeldia tomava conta dos meus pensamentos. Uma rebeldia, talvez, causada pela separação dos meus pais. Na verdade não acho que esse tenha sido um motivo forte o suficiênte. Era o mais puro sentimento de passar por algo novo e ter histórias para contar. Era aí que entravam os perigos do mundo que tanto os adolescentes não conseguem perceber.
Por volta dos quinze anos, eu e mais três amigas, decidimos seguir nossas vidas sozinhas e distante de tudo que podava nossos desejos de liberdade. Em uma de nossas manjadas reuniões, planejamos tudo. Juntaríamos dinheiro durante dois meses e na madrugada do dia escolhido, sairiamos com todo o cuidado para ninguém perceber. Carona na Régis não seria difícil de conseguir. Curitiba aí vamos nós!
Dois mêses depois, estávamos de mochila nas costas rumo a felicidade. Um caminhoneiro de meia idade e de coração bom nos ajudou. Fomos até uma cidadezinha linda, onde todos os habitantes eram muito atenciosos e receptivos. Ficamos em uma pequena pousada que servia uma comida bem caseira e era comandada por uma senhorinha fofa. Ficamos cerca de seis meses por lá, ajudando na pousada, mercadinho, padaria...Acabei conhecendo um principe lindo! Tinha a pele branca e os cabelos brilhavam de tão negros. Ele era muito carinhoso comigo e ainda por cima sabia dançar lindamente!
Na verdade nada disso aconteceu. A vida não é um conto de fadas e provavelmente teríamos que nos prostituir para conseguir qualquer carona na beira da estrada.
Depois de todos os planos feitos e repassados, um silêncio tomou conta do local, só ouviamos o vento nas árvores e as folhas secas que eram incomodadas pelos nossos pés. Não posso afirmar o que elas estavam pensando, mas sei que por mais complicadas que fossem nossas vidas, longe de quem amavamos poderia ser bem pior. Decidimos ir embora para casa e nunca mais falamos sobre o assunto.