quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Viagem


Existiu uma época em que a rebeldia tomava conta dos meus pensamentos. Uma rebeldia, talvez, causada pela separação dos meus pais. Na verdade não acho que esse tenha sido um motivo forte o suficiênte. Era o mais puro sentimento de passar por algo novo e ter histórias para contar. Era aí que entravam os perigos do mundo que tanto os adolescentes não conseguem perceber.
Por volta dos quinze anos, eu e mais três amigas, decidimos seguir nossas vidas sozinhas e distante de tudo que podava nossos desejos de liberdade. Em uma de nossas manjadas reuniões, planejamos tudo. Juntaríamos dinheiro durante dois meses e na madrugada do dia escolhido, sairiamos com todo o cuidado para ninguém perceber. Carona na Régis não seria difícil de conseguir. Curitiba aí vamos nós!
Dois mêses depois, estávamos de mochila nas costas rumo a felicidade. Um caminhoneiro de meia idade e de coração bom nos ajudou. Fomos até uma cidadezinha linda, onde todos os habitantes eram muito atenciosos e receptivos. Ficamos em uma pequena pousada que servia uma comida bem caseira e era comandada por uma senhorinha fofa. Ficamos cerca de seis meses por lá, ajudando na pousada, mercadinho, padaria...Acabei conhecendo um principe lindo! Tinha a pele branca e os cabelos brilhavam de tão negros. Ele era muito carinhoso comigo e ainda por cima sabia dançar lindamente!
Na verdade nada disso aconteceu. A vida não é um conto de fadas e provavelmente teríamos que nos prostituir para conseguir qualquer carona na beira da estrada.
Depois de todos os planos feitos e repassados, um silêncio tomou conta do local, só ouviamos o vento nas árvores e as folhas secas que eram incomodadas pelos nossos pés. Não posso afirmar o que elas estavam pensando, mas sei que por mais complicadas que fossem nossas vidas, longe de quem amavamos poderia ser bem pior. Decidimos ir embora para casa e nunca mais falamos sobre o assunto.

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