domingo, 30 de janeiro de 2011

Hora da mudança

- Está pronta para viajar?
- Estou.
Como livrar-se de um sentimento há tanto tempo enterrado em seu espírito? Tempo esse que nem é possível contar em números, mas sim em vidas. Outra vida, outra realidade. Trouxe comigo esse sentimento que não me pertence, precisava ter deixado lá. Um passo que foi dado torto e que causa dor no tornozelo até hoje, porém não me lembro da pedra causadora da dor. Tudo indica que fui eu mesma quem colocou a pedra ali. Descobrir quem sou nesta vida e deixar o passado passar, me desapegar das lembranças esquecidas. Quem fui e quem esteve comigo não importa mais, é preciso se concentrar no hoje. Não é hora de pensar ou tomar decisões. O vazio e a sensação de inexistência passarão e o cheiro da Lotus encherá meu coração de paz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Música

Honey And The Moon

Don't know why I'm still afraid
If you weren't real I would make you up
now
I wish that I could follow through
I know that your love is true
And deep
As the sea
But right now
Everything you want is wrong,
And right now
All your dreams are waking up,
And right now
I wish I could follow you
To the shores
Of freedom,
Where no one lives.

Remember when we first met
And everything was still a bet
In love's game
You would call; I'd call you back
And then I'd leave
A message
On your answering machine

But right now
Everything is turning blue,
And right now
The sun is trying to kill the moon,
And right now
I wish I could follow you
To the shores
Of freedom,
Where no one lives

Freedom
Run away tonight
Freedom, freedom
Run away
Run away tonight

We're made out of blood and rust
Looking for someone to trust
Without
A fight
I think that you came too soon
You're the honey and the moon
That lights
Up my night

But right now
Everything you want is wrong,
And right now
All your dreams are waking up,
And right now
I wish that I could follow you
To the shores
Of freedom
Where no one lives

Freedom
Run away tonight
Freedom freedom
Run away
Run away tonight

We got too much time to kill
Like pigeons on my windowsill
We hang around

Ever since I've been with you
You hold me up
All the time I've falling down

But right now
Everything is turning blue,
And right now
The sun is trying to kill the moon,
And right now
I wish I could follow you
To the shores
Of freedom
Where no one lives

Uma nova Noite

Era uma festa. Angela decidiu ir, era bom para manter contatos. Chegou com sua turma de amigas e logo sentiu-se bem a vontade no local. Todos bebiam e conversavam alegremente. Depois de alguns copos de cerveja, Angela decide ir até o bar para dar uma variada no cardápio.
- Moço, você tem amarula aí?
O barman não escutou. Ao seu lado estava Bruno, um rapaz que trabalhava na mesma empresa que ela. Os dois já haviam trocado alguns olhares e cumprimentos, mas nada muito profundo. Bruno ouve uma voz feminina, olha para o lado e descobre Angela. Anima-se.
- Amarula! Que beleza hein! – diz Bruno
- Oi, tudo bem? Não tinha te visto...
Bruno balança a cabeça positivamente. Queria puxar conversa, mas não conseguia pensar em nada interessante. Angela então decide quebrar o clima sem graça que se formou:
- Faz tempo que você chegou?
- Oi? – Bruno finge não ter ouvido com o intuito de chegar mais perto de Angela.
- Faz tempo que você está aqui?
- Não, faz pouco tempo e você?
- Tempinho. Só não dá pra ir embora muito tarde. Amanhã tem que trabalhar e tal...Moço, me dá uma amarula, por favor (para o barman).
- Está cheio aqui hoje.
- Nunca tinha vinda, acredita?!
De longe, Igor observa a conversa de Angela e sente ciúmes. Igor e Angela tiveram um caso há pouco tempo. Era o tipo de relacionamento ardente, saia faíscas quando os dois encontravam-se. Porém Igor era casado e Angela sabia que esse relacionamento jamais daria certo. Morria de medo de se envolver demais e acabar sofrendo. Era melhor afastar-se dele. Deixou de atender seus telefonemas e não respondia mais os e-mails. Fugia enquanto podia. Igor sabia o que estava acontecendo e sabia também que Angela tomava a decisão certa, mas não conseguia se conter.
Finalmente a bebida de Angela chegou e estava na hora de voltar para suas amigas.
- Vou voltar pra mesa. Preciso ficar de olho na minha carona, senão ela vai embora e me deixa aqui pra sempre.
Angela estava saindo e Bruno pegou em seu braço e disse:
- Se sua carona te deixar, te levo pra casa.
Deu um beijo em seu rosto e saiu. Angela ficou lá, parada. Havia adorado a atitude de Bruno. Quando voltou para a realidade, avistou Igor, olhando para ela. Percebeu que ele estava com ciúmes e sentiu-se muito bem por isso.
A noite foi passando e Bruno pensou que não poderia deixar essa oportunidade ir embora. Decidiu falar com Angela novamente:
- Oi. Desculpa, nem conversei com você direito ali no bar. Sabe que faz mó tempo que tento encontrar um jeito de chegar perto de você?
- Jura! Sou uma pessoa super acessível.
- Eu sei, você é bem simpática, mas nunca dava certo, sei lá.
- Pois é, considerando que eu sempre retribui aos seus olhares e você nunca fez nada, realmente não sei o que acontecia.
Um beijo acontece. Igor vê e não gosta.
Angela precisa ir embora com a carona, despede-se de Bruno.
Na rua, enquanto Angela espera sua amiga pegar o carro, Igor aparece, pega em seu braço e puxa-a para um canto.
- O que é isso? Você está louco?
- Fez um novo amigo hoje?
- Não, eu já conhecia ele...mas o que eu estou fazendo te dando explicação?
- Nunca te vi com ele.
- E daí? Também nunca tinha te visto com a sua mulher. E cadê ela que não está cuidando de você?
- Ela vai ficar aí. Quer ir embora comigo?
- Não! Dá licença que minha carona vai pensar que fui sozinha.
- Espera, quero falar com você.
- Que foi Igor?
- Por que você não me atende mais?
- Meu! Preciso explicar isso? Acho que não né! É melhor parar por aqui sabe?
- Mas estava tudo bem, estava legal. A gente pode viver assim. Até deixo você dar uns beijos naquele babaca lá.
- Você acha mesmo que eu quero viver assim?
- Vamos ficar juntos?
- Você é casado! Quero uma pessoa só pra mim, poxa vida!
Igor abraça Angela e as faíscas começam a aparecer, mas ela afasta-o de seu corpo.
- Não Igor. Assim não. Pode falar que sou idiota, mas eu quero um amor na minha vida.
Angela vai embora e entra no carro da amiga. Começa a lembrar dos momentos que passou com Igor. Sabe que vai sentir saudade de tudo aquilo, da paixão. É bem possível que tenha perdido, além de um ótimo amante, um amigo, mas sabe que está saindo de algo que poderia deixar muitos feridos. Sente-se preparada para começar uma história bonita e tão ardente quanto a que acabara. Lembranças sempre existirão no passado e o que interessa para ela é o futuro que está construindo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


Maria Budaski

Essa é uma das histórias que durante toda a minha vida ouvi diversas vezes, mas cada vez com um detalhe antes esquecido. É sobre uma mulher chamada Maria, Maria Budaski, uma jovem senhora húngara, casada com um homem do bigodão e que, até fevereiro de 1922, tinha como única função, cuidar de seus quatro filhos e da humilde casa. Logo após o casamento, o homem do bigodão a levou para Romênia e lá eles constituíram a família, mas, por causa de uma crise civil, foram obrigados a mudar os planos e continuar a constituição desta família em um outro lugar, esse, chamado de Brasil. Ahah! O Brasil! Sabiam que não seria fácil a vida em uma terra estrangeira, por mais encantadora que ela fosse. Maria aceitou as decisões do marido e em determinado dia e hora, aquela família foi  para o porto da cidade. As fotos foram tiradas, o passaporte liberado, mas na hora de embarcar, um desespero assolou o coração de Budaski, ela sentiu-se como se não fosse nada nesta vida; o bigode e seu dono foram barrados pelos militares, pois como homem, ele deveria ficar e lutar no pequeno conflito civil que tomava a região. Pois bem, nossa heroína teve que embarcar sozinha com seus quatro filhos pequenos. Do marido, levou apenas a promessa de que a encontraria, assim que cumprisse seu dever de cidadão. Assim, caminhou firmemente, com uma criança nos braços e mais três garotinhos segurando em sua saia, com a certeza de que nunca mais veria seu marido.
Foram meses a bordo de um grande vapor, no meio deste marzão de Deus. Como todo mundo já sabe, muitas pessoas morreram nessas viagens, inclusive a garotinha caçula de Maria Budaski, de apenas seis meses. Foi contaminada por uma peste qualquer e acabou sendo atirada ao mar, envolta de panos encardidos. A mãe da garotinha que já não estava muito bem da cachola, teve uma crise e de tanto chorar, esqueceu-se de como fazia para sorrir.
Chegou ao novo país. E viveu, ué. Não foi feliz, mas continuou vivendo. Foi morar em uma fazenda com mais um grupo de romenos e trabalhou na roça praticamente o resto da vida. Trocou cartas com o homem de bigode por anos a fil. Descobriu que o conflito acabou, seu antigo país prosperou e que o homem do bigode já não era mais seu marido, pois havia arrumado uma outra esposa, constituído uma nova família e nunca ficou sozinho. Seus filhos cresceram, alguns casaram, tiveram filhos e Maria envelheceu. Em uma certa altura de sua vida, deu-se ao luxo de ficar completamente atrapalhada das ideias. Ficava no fundo do quintal, agachada e falando coisas que só ela sabia o significado. Até que Maria Budaski morreu e só deixou uma gigantesca curiosidade em minha pessoa: O que realmente teria passado na cabeça desta mulher durante todo esse tempo, mediante os ocorridos em sua vida? Nunca ninguém saberá, mesmo porque as cartas que ela recebia do bigode acabaram indo para o lixo e ela não deixou absolutamente nada registrado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Musiquinha

Sabes Mentir
Djavan
Composição: Othon Russo

Sabes mentir
Hoje eu sei que tu sabes sentir
Um falso amor
Abrigaste em meu coração
Sempre a iludir
Tu falavas com tanto ardor
Dessa paixão
Que dizias sentir
Mas tudo agora acabou
Para mim terminou a ilusão
Hoje esse amor já findou
E afinal para que amar
Sempre a iludir
Tu beijavas com afeição
Sempre a fingir
Uma falsa emoção
Sabes mentir
Hoje eu sei que tu sabes sentir
Um falso amor
Abrigaste em meu coração
Sempre a iludir
Tu falavas com tanto ardor
Dessa paixão
Que dizias sentir
Mas tudo agora acabou
Para mim terminou a ilusão
Hoje esse amor já findou
E afinal para que amar
Sempre a iludir
Tu beijavas com afeição
Sempre a fingir
Uma falsa emoção

A Primeira Vista

Foi a primeira vez que havia ido lá, estava com dúvidas e bastante curiosa. Já estavam todos preparados. Percebi um homem alto e moreno ir até o ponto de reflexão, abaixou a cabeça, esfregou as mãos, cambaleou pra cá e pra lá, finalmente ele chegou. Sua risada encheu meu espírito de alegria. Vestiu-se e foi para o canto. Pegou um cigarro e observou. Era ele. Aceitou deixar a solidão de seu momento para me dar atenção. Assim que ele colocou os olhos em mim a paz predominou em meu corpo, como se nada mais fosse complicado. Me senti nua. Aquele homem conhecia pontos da minha alma que nem eu mesma havia conseguido chegar. Ele sabia o que eu tinha feito, conhecia todos os meus sentimentos escondidos. Senti vergonha, mas em um segundo, com esse poderoso olhar, ele me disse que estava tudo bem. A conexão foi evidente. Isso ocorreu nos outros encontros também. Um dia me falou que estaria lá quando eu fosse embora. Mas não tive tempo de me despedir. Foi tudo muito rápido e inesperado. Nunca mais o vi. Sei que ele está comigo, pois as vezes sinto sua presença e choro de alegria. Hoje ele ajuda um grande amigo que precisa muito mais do que eu. Só espero que não esqueça de mim.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Bia e Renato

CENA 01 / MANHÃ / INTERNA / QUARTO CASAL


Casal deitado na cama. Renato acorda, levanta e caminha até o banheiro. Bia já estava com os olhos abertos, esperou Renato fechar a porta do banheiro para levantar. Puxou uma mala de viagem de baixo da cama, guardou algumas coisas e começou a se trocar. Renato volta para o quarto, com algo na mão.

                             RENATO

Bia, o que é isso?
Um teste de gravidez?
Você tá grávida? (risonho)

                              BIA

Joguei isso no lixo ontem,
acho que você não deveria pegar.


RENATO

Por que você está fazendo
sua mala? Bia você tá grávida?

Bia continua juntando suas coisas. Renato vai até Bia e a pega pelos ombros.

RENATO

Bia você tá grávida?

BIA

Tá rosa não tá?

Renato sorri. Bia solta seus braços e fecha a mala.

RENATO

Onde você vai Bia?

BIA
Vou embora.

                             RENATO

Mas você tá grávida!
A gente tá junto!
Não entendo.

                              BIA

Não dá mais pra mim.
Preciso ir.

                             RENATO

Mas ir pra onde?
Vai voltar pra Curitiba?
Me explica.

                               BIA

Não sei Renato, eu não
sei pra onde eu vou.
Vou por aí.

                              RENATO

Bia você tá grávida,
não pode sair assim.

                               BIA

Já sei que tô grávida,
descobri ontem e você não
pára de repetir na minha
cabeça. Eu vou embora
e pronto. Não estou doente,
aleijada...

Os dois ficam em silêncio. Renato senta na cama e fica de cabeça baixa. Bia senta-se ao lado dele.

BIA

Eu já tinha planejado
isso antes de fazer o teste.

                              RENATO

E você não ia me contar
do bebê? Você estava comigo
há um tempo, pensando em
ir embora?!

                               BIA

Não é assim.

                             RENATO

Como é então?

                              BIA

Nunca disse que ficaria
morando com você pro resto
da minha vida.
Sempre sai por aí...
sempre vivi assim.

                             RENATO

Mas pensei que você
tinha encontrado o que
queria do meu lado.
Eu me encontrei
quando te conheci.

                               BIA

A gente se conheceu
numa balada Rê.

                              RENATO

E daí? Pô a gente tá junto,
a gente vai ter um filho.
Eu te amo Bia.

                               BIA

Também te amo Rê.

                              RENATO

Então, fica aqui comigo.
Eu fiz alguma coisa
que você não curtiu?

                               BIA

Não, está tudo bem. E
u só não consigo ficar
mais aqui. Não é isso
que eu quero da minha vida,
pelo menos não agora.

Renato levanta e dá um tapa na parede.

RENATO

Porra Bia! Que merda isso!
Não deveria ter
confiado em você mesmo.

BIA

Não grita comigo!
Nunca menti pra você!

RENATO
 Mas e a criança? Ele é meu também
Voê não pode sumir assim

                               BIA

Quem disse que ele é seu?

                              RENATO

Você não pode ter
feito isso comigo.

                               BIA

Quem disse que não?

Bia pega sua mala e sai do quarto. Renato a segue.

RENATO

Quem é o pai dessa criança?
Só vou acreditar se me
disser um nome!

BIA

Não tem nome.
Não quero mais falar nada.

Bia percorre o apartamento até a porta e Renato sempre a seguindo e querendo respostas.

BIA

Tchau Renato.

Bia sai do apartamento.

RENATO

Sua vagabunda!

CENA 02 / MANHÃ / INTERNA / HALL


Bia caminha até o elevador e chora. Bia seca as lágrimas e entra no elevador.