Foram meses a bordo de um grande vapor, no meio deste marzão de Deus. Como todo mundo já sabe, muitas pessoas morreram nessas viagens, inclusive a garotinha caçula de Maria Budaski, de apenas seis meses. Foi contaminada por uma peste qualquer e acabou sendo atirada ao mar, envolta de panos encardidos. A mãe da garotinha que já não estava muito bem da cachola, teve uma crise e de tanto chorar, esqueceu-se de como fazia para sorrir.
Chegou ao novo país. E viveu, ué. Não foi feliz, mas continuou vivendo. Foi morar em uma fazenda com mais um grupo de romenos e trabalhou na roça praticamente o resto da vida. Trocou cartas com o homem de bigode por anos a fil. Descobriu que o conflito acabou, seu antigo país prosperou e que o homem do bigode já não era mais seu marido, pois havia arrumado uma outra esposa, constituído uma nova família e nunca ficou sozinho. Seus filhos cresceram, alguns casaram, tiveram filhos e Maria envelheceu. Em uma certa altura de sua vida, deu-se ao luxo de ficar completamente atrapalhada das ideias. Ficava no fundo do quintal, agachada e falando coisas que só ela sabia o significado. Até que Maria Budaski morreu e só deixou uma gigantesca curiosidade em minha pessoa: O que realmente teria passado na cabeça desta mulher durante todo esse tempo, mediante os ocorridos em sua vida? Nunca ninguém saberá, mesmo porque as cartas que ela recebia do bigode acabaram indo para o lixo e ela não deixou absolutamente nada registrado.
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