Não sei como será quando eu entrar novamente naquela casa. São muitas recordações de um tempo que foi e não há como voltar. Não tenho mais meus primos que pulavam comigo naquele colchão de molas e nem os bolinhos de chuva. Tudo se foi. Ficamos parados enquanto as coisas aconteciam e nos levavam a seguir e ser o que somos hoje. Não ando mais no banco de trás do fusca bege. Meu primo não é mais um E.T. O Pardal voou pra longe. Dona Augusta e o seu Pedro também se foram e sei que estão juntos onde quer que seja. Pelo menos é melhor pensar assim. O Beto virou Roberto. Perdi um dos beijos de boa noite mais importantes da minha vida. Sei que as realidades mudam, se transformam. Não sou saudosista nem nada disso, gosto de mudanças. Mas como não sentir vontade de chorar ao lembrar de tudo isso?
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