Eram dois sofás de três lugares e duas poltronas. Ela preferia alojar-se na poltrona da esquerda, creio que por causa da claridade que entrava pela janela e pela porta de vidro, logo atrás de sua cabeça. Ficava mais fácil para bordar. Ele ficava de frente para a televisão, no canto do sofá de três lugares. Encostava o cotovelo direito no braço do sofá, apoiava a cabeça na mão e ficava tudo perfeito. O sofá tinha uma estampa verde, toda rasgada, com grandes almofadas da mesma cor e pequenas flores brancas desbotadas. Muitas vezes eu sentava com força no sofá e espumas coloridas subiam dos buracos abertos. Depois de algum tempo o estofado foi trocado, mas a estrutura de madeira continuou. A estante pegava uma parede inteira. Existia um aparelho de som que há tempos deixou de ser moderno e tinha uns botões gostosos de apertar. Sempre gostei de apertar botões e confesso que me segurava para não acabar quebrando aqueles. Muitos livros, enciclopédias, basicamente. Algumas fotos, um porta-canetas que dava corda e tocava uma musiquinha relaxante. Boa parte das prateleiras estavam ocupadas com livros e revistas de receitas deliciosas. Diante de tudo isso, a televisão era o que menos importava. Outra coisa que sempre gostei era do aparelho de telefone verde e com fio. Era o único lugar que eu frequentava que possuia telefone fixo.
Realmente fantástico, acompanho seu blog e relatos há algum tempo, mas nunca me interessei em comentar, sempre achei o tipo de pensamento compartilhado, me parece em seus textos que você tenta passar algo com... ambiguidade, sei lá, devo tá falando besteira.
ResponderExcluirMas enfim gosto do seu trabalho.
p.s.: também acho um enigma a morte da Odete Roitman, e acho também que a história do Rock é brutalmente influenciada pelo canto do Rouxinol, afinal oque seriam os Beatles sem a Ave?