Na noite seguinte, Emerenciano vai até o bordel da região para se distrair. Entra no salão principal e percebe que algumas pessoas comentam sobre ele com olhares discretos. Vai até o bar e pede uma bebida, uma garota chamada Glória, funcionária da casa aproxima-se e diz:
- Fiquei sabendo da briga.
- Já chegou por aqui!
- Está todo mundo falando sobre isso. Logo ele Emerenciano! Não tinha outro pra você matar não?
Fica alguns instantes olhando para ela e diz:
- Ele me provocou. Foi atrás de mim até a minha casa pra arrumar briga.
- Você estava de caso com a mulher dele Emerenciano!
Emerenciano sorri – A gente se apaixonou ué.
- Apaixou, apaixonou nada, você lá sabe o que é paixão?
- Claro que sei, me apaixono todo dia praticamente.
- A coitada eu até acredito que tenha ficado encantada por você. Sei muito bem o que é isso. Mas não vim falar sobre paixão com você. Andei ouvindo umas conversas estranhas por aqui. Eles vão te matar e você sabe que eles podem.
- Quem te falou isso?
- A gente sempre sabe de muitas coisas aqui. Toma cuidado, não sei o que faria se alguma coisa te acontecesse.
- Não tenho medo deles não, podem vir que estou preparado.
- Pára com isso nego, você precisa sumir daqui, vai embora, procura teu pai que ele dá um jeito de te mandar pro Sul...
- Não vou pedir nada pra ele não, nunca precisei de nada que viesse dele...
- Mas agora você está precisando, pára de orgulho e vai salvar sua pele, vai tentar mudar de vida. Aproveita e me leva junto.
A moça dá um beijo em Emerenciano que a pega pela cintura e a leva para um dos quartos do bordel. Eles fazem amor com muita intensidade.
Depois de ter passado a noite com a moça, Emerenciano está voltando para casa, já na madrugada do outro dia, caminha pela estrada escura. Sem esperar, recebe uma paulada na cabeça e cai. Três homens aparecem e começam a bater nele que desorientado por causa da paulada, não consegue se levantar para defender-se. Um dos homens dá ordens para parar a agressão e diz:
- Isso é pela morte do meu irmão e por ele ter morrido com fama de corno. Agora você vai morrer aqui sozinho, vazando sangue que nem ele. Vamos embora, deixa ele aí porque daqui a pouco aparece uma onça para terminar o trabalho.
Os homens vão embora e Emerenciano fica sozinho na escuridão.
Já de manhã, alguns homens que estávam indo trabalhar na lavoura, encontram Emerenciano e prestam ajuda a ele. Levado para casa, fica sobre os cuidados da irmã, de cama durante dias até se recuperar. Nesse tempo, Emerenciano pensa muito sobre sua situação e fica com medo do que pode acontecer com sua vida. Nunca fugiu de uma briga e também nunca teve medo de ninguém. Na verdade ele estava cansado da vidinha que levava no interior de Pernambuco. Sentia sua vida vazia, precisava de outros ares e novas aventuras. Decidiu engolir o orgulho e pedir ajuda para seu pai, que conhecia muita gente no Sul e tinha algum dinheiro também. Nunca se entendeu bem com ele. Sua mãe era escrava de seu pai, na época que isso ainda era aceito. Ele nunca deixou de ajudar seus filhos, mas também nunca assumiu e cuidou como um verdadeiro pai deveria cuidar de um filho. Ele tinha sua família e nunca misturou uma coisa com a outra.
CONTINUA...

Nenhum comentário:
Postar um comentário